sexta-feira, 6 de junho de 2014

KUBATA BANTU uma casa sem portas e sem janelas\ Ceará\ Maio de 2014.




Kubata Bantu significa "Casa dos Humanos". 

É uma proposta que une as diferentes linguagens presentes no trabalho de Fabio Simões Soares e a Kalimbaria. Nessa casa, Fábio Simões desenvolve vivências de confecção de instrumentos e brinquedos africanos, práticas de percussão e cantigas Bantu.  
A troca e o conhecimento são os alicerces desta kubata, que a partir da cosmovisão africana  traz os valores culturais de cada material utilizado na confecção dos instrumentos. A importância da oralidade através do aprendizado dos cantos em línguas Bantu.  A ludicidade através da confecção de brinquedos feitos com materiais da natureza (bambus, cabaças, sementes...) E a integração de todos os participantes através da prática coletiva com uso de variados instrumentos de percussão.

Kubata Bantu é uma proposta itinerante que pode ser montada em diferentes espaços,  pra públicos diversos e que tem como foco a difusão dos valores culturais dos povos Bantu (povos do centro \sul do continente africano)  que povoaram toda América do Sul durante o primeiro ciclo da colonização.   

Segue abaixo um diário versado da primeira viajem dessa Kubata Bantu.
Escrito a duas...ou melhor 4 mãos.
Versos: Fabio Simões, Laís Santos ( Batatinha)
Fotos: Kelly Brown, Paulo Chaffin,Fábio Flecha, Fábio Simões, Laís Santos.
Vídeo e Fotos na Eco Aldeia: Fábio Flecha.
Edição e revisão de texto: Aline Valentim.
Local das atividades: Feira de orgânicos Pça Agentilândia,Grupo de Escoteiros Eudoro Correa,Casa Rastafari-I Sabiaguaba, Colégio Shalom,Universidade Estadual do Ceará(Centro de Humanidades),Casa de Patrícia Pereira Matos, Eco Aldeia Flecha da Mata ( Canoa Quebrada).
 Fortaleza\Ceará entre 08 e 20 de maio de 2014






Kubata Bantu  nasceu como aquelas sementes que os pássaros deixam na terra e brotam por vontade própria.  De um encontro em Novembro de 2013, aos pés do Baobá, em Fortaleza, jogamos as sementes deste trabalho. Foram três meses semeando para finalmente, no dia 8 de Maio, florescer a primeira rama. É algo especial quando a primeira flor de uma planta nasce, tem todo o esforço, a expectativa, a vontade, os medos, os planos, os sonhos... O dia da chegada começou com um desencontro. Eu como sou meio das ‘’superstições’’ fiquei logo achando que tudo havia começado com o pé esquerdo, com o problema do couro de cabra que não encontramos. Pensei de verdade que os dias em terras Alencarinas seriam de tormenta. Conviver todos os horários do dia com alguém com quem só havia se falado na net também num é tarefa fácil, Rio de Janeiro e Ceará são terras bem diferentes, fora os dez anos que separam eu (Batatinha - proditora local) e Fábio Simões. Na verdade sempre tive um certo ‘’entojo’’ de carioca, se acham demais e ainda chiam loucamente rsrsrsr.  Mas vencido o período de adaptação, a amizade e parceria floresceram com o resto do nosso trabalho. Foram doze dias de trabalho sem pena, pegando busão pra se locomover e sem horário certo para comer e dormir, mas valeu a pena. 

Assim começamos a fazer os alicerces dessa casa de todos, sem portas e sem janelas...



Kubata Bantu é uma casa
que cabe quem quiser
seja homem ou menino
travesti ou mulher.
É casa de toda gente
sem distinção de quem se é.
Começamos os alicerces
nas terras do Ceará
do Rio veio o barro
para tudo juntar.
Sem portar e janelas
para quem quiser entrar
Seguimos na caminhada
levantando a construção
dessa casa tão sonhada
que é de todos os irmãos
para viver na alegria
de se partilhar o  som.

Agora a massa deu liga
com as águas que vem de lá
teve o canto teve a m'bira
O Tomé tocou tambor
E o Ernesto soando lindamente

África com Ceará
O pão é o conhecimento
pra raiz não se afinar
A troca é o cimento
que faz toda obra durar
Essa nossa casa é firme
feita de sonho e cimento
de música e alegria
vida e conhecimento
para ser abrigo do corpo
e pra alma o alimento
Da escolha das matérias
até o chão de pisar
A kubata
teve música improvisada
brinquedo de cabaça
e Nyahbing em Sabiaguaba!



Almoço no Mandir com os irmãos Fábio e Nicole de Sabiaguaba

Vivência  Nayahbingui Rastafari - Sabiaguaba


Na segunda mais trabalho
quié pra casa arrumar

vamos seguindo juntinhos
nessa nossa empreitada
de construir uma casa
para a vida ter morada
no caminho vamos encontrando
um bocado de irmão
que nos ajuda na caminhada
esses sempre estendem as mãos
para nossa kubata nunca ficar sem o pão!
Kubata na Escola Shalom - Bate Papo sobre África e política.
Quanto a nós nessa amizade
O mundo vamos semear
As ruas vão virar jardins
As cidades um pomar
frutificando a cultura
para a alma alimentar 

dando força para o corpo
a realidade transformar










                                                                                                    Essa  Kubata, ela é pesada
Mãos à obra na Kubata!!!
Mas teve dia que era fácil a kubata carregar
teve dia que eu queria que ela voasse no ar
De Benfica a Maraponga por cima num piscar Jacarecanga >Centro>Centro>Benfica>Benfica> Maraponga>Jacarecanga. Ufffaaa!
Dois dias assim, carregando a Kubata e sem voaaar??
Pra você vê como sonho não pesa
e se pode levar pra qualquer lugar
Pra Nayanga construir!!! (Flauta Bantu)

O sonho é leve como um soprar, os dias com chuva vem refrescar 
eu penso em Baturité mas meus pés tem que ir pra outro lugar
Na universidade que recebeu a Kubata 
dois dias de trabalho sem dispersão


Trabalhando as cabaças...
... Kubata Bantu na Universidade Estadual do Ceará

tinha que dar tempo pra tudo senão... 


não tinha tempo pra nada não


Goje - monocórdio construído por Rafael Ferreira
 Kubata na UECE


no jardim dessa kubata
dá batata pra valer
tem cajuína e tem barú
Tem o axé de cada um
porque cada dia entrava mais um..


boas coisas de comer
pra dá força e coragem
Sem ida ninguém voltava
E sem andar ninguém ficava


Brincadeira não vai faltar
Muito menos diversão
Vai ter muita arenga boa e riso de montão.

Levar nossa Kubata exige atenção! 
para não esquecer de tudo que a compõe 
Nossa kubata é Bantu e seus saberes quer passar
Goje e Kalimba na Uece nos propomos a ensinar



Apresentando as matérias: Pau de Guatambú e Cabaça - UECE
Todo mundo muito atento, nos cadernos a anotar 
o que a Kubata Bantu queria proporcionar

Teve gente de todo jeito e em tudo um jeito se dá
do Oco da cabaça ao som onde queríamos chegar 
através de outros antigos instrumentos, 
as heranças relembrar 


No início, era o nada...

E do oco, fez-se o som...





























No que isso aí vai dar???! rs
Eu sou sabiá miúda
aprendendo a voar
da rima eu nada sei
to aprendo a cantar
mas já penero as asas
para o céu ir ganhar

tu também é passarinho 

mas pequeno tu não é 

me ensina tanta coisa 
que ainda nem sei o que é 
me mudou as penagens 
me deixou de ponta pé

num sei se tu é carcará 

assum preto ou cancão 

mas sei que tu é feito de asa
e que voa por essa imensidão.
Tudo feito com carinho, 
amor e dedicação 
para erguer essa kubata
É suor e coração!!!

Cada qual tem seu jeito, cada jeito um tem
tudo que se cria já foi feito
eu nada sei sobre o que vem
Cabaça - Criança
Passado - Futuro.
vem som de corda de nylon, 
vem som de teclas também, 
tudo transformado em som, 
pelo oco que a cabaça tem!



Eu num sei sobre o futuro 
mas pra ele vou caminhar
vamos seguir lado a lado 
para o mundo transforma ?




Pretinho agora tá lascado, 
essa casa é minha também 
por ela já tenho apego 
a ela já quero bem


A cabaça como sempre no caminho da Kubata
A kubata sem cabaça não seria a mesma casa
Sandra Petit - Professora da UFC


A cabaça é barriga 

dessa nossa gestação

do oco veio a vida 
da vida veio a ação 
da ação veio a kubata

Da Kubata a Bantalização!




Na quinta tivemos folga 
a Kubata já estava cansada 
Recarregamos as energias 
no mar do Poço da draga
Gosto de te ver poeta
brincando com a palavra
Só me lembro nossa ida
lá pra Canoa Quebrada!
Fazendo verso de rima
por toda a caminhada.
Por nada me arrependo 
a lua tava ao meu lado,
toquei m´bira na Oca 
e quase fui pro outro lado
As muriçoca a lagoa, os sapos, a ganja, o solto, o prensado, o rapé que é boa medicina
conectando o futuro ao passado.
Não me esqueço que a vida é redonda e que tudo uma volta tem
pisando em Canoa Quebrada, parecia que já tinha ido lá...
E onde é que está a rima?? Vc que vá procurar!!!
Na EcoAldeiaFlechadaMata senti uma coisa que há tempo num fazia atinar
Como a vida pode ser simples se agente se conecta com nosso habitat.
Me senti fazendo as coisas que antigamente fazia
trabalhando todos os dias 
não damos brechas pro engano 
é por isso que eu firmo aqui
seguindo nesse plano
de levar essa Kubata 
vuando pelos 4 cantos


A kubata voadora 

feita de sonho e suor 
vai voar por todo mundo

Cantigas Bantu na Oca da Eco Aldeia Flecha da Mata
Canoa Quebrada - CE



Não tem erro, nem engano
Africanizando até os ossos...


Instrumentos de cabaça, mais uma vez fabricados 
Na Eco Vila a energia vem do dia ensolarado
o sol e o vento como guias, ajudando a trabalhar
lá tem placas que faziam a captação da luz solar 
a kubata desse jeito fez ainda mais brilhar 
com um bocado de criança alegrando o lugar 
e uma ruma de instrumentos, festejando o caminhar.  

Não tenho como descrever toda energia manifestada
Crianças e amigos novos, novos caminhos pra essa Kubata.
Se um dia o caminho trouxer os ventos que ventam nessa terra alada
Eu quero morar lá, eu e mais esta Kubata.
Aerophone pras crianças. Som e mágia no ar...

Tu é filho desse chão!
Suas pegadas seguem pra cá.

Por aqui passaram os teus
Por aqui tu vai passar...


O rio é muito bom!

Tem coisas pra valer!

Mas acho que aqui
é onde tu vai se prover
e semear coisas boas
pras pequenas receber.

Não sei se pelos 4 cantos
Juntos vamos estar
mas sempre vou torcer por ti
onde quer que se encontrar
porque nossa amizade é sincera
dura o quanto semear

Muitas bençãos dessa kubata ainda vamos derramar,
através dos sons e das palavras que não tem mais onde parar

Pisa e voa Kubata Bantu, que essa casa é de todo lugar!

Quem planta um dia colhe, mas... Pra colher tem que plantar!


Plantamos amigos, plantamos saberes e curiosidades.
Agora o que ficou foi uma imensa saudade.
Hoje sigo por aqui, pensando nessas bondades.

Que os caminhos da Kubata nos levaram a estes lados...

Pareceu uma eternidade!!!

Pretinho num fica saudoso
Já já ela vai te buscar

Essa casa alada

vai voltar pro Ceará

pra semear a vida
e colher o que plantar!!!

Aqui chega ao fim os versos que fizemos.
Eu e a amiga - produtora -faz tudo - Laís Santos, 
a Batatinha, como ela prefere ser chamada  :)

Gratidão por essa Kubata que é casa de todo mundo, sem portas e sem janelas!!!!



Vídeo feito por Fabio Flecha\ Vivência de confecção de instrumentos Africanos na Eco Aldeia Flecha da Mata\ Ceará Maio de 2014
Cantigas Bantu - Domo - Eco Aldeia Flecha da Mata




Grupo de Escoteiros Eudoro Correia - Brincando Bantu - peão de cabaça
Limpando o oco - Eco Aldeia



Kubata na Escola Shalom - Pintura Ndembele
(povos Zulus -Africa do Sul)



Escudos em papel reciclado com pintura Ndembele.


Peão de Cabaça e Aerophones

Construtor da Kubata


Palavra, som e PODER! Vivência Rastafari em Sabiaguaba.




 Jah works.

Breve explicação sobre a família dos instrumentos.

Rafael Ferreira e Cláudia Quilombola, escolheram suas cabaças!




Oralidade, sim senhor!
Na Kubata até a fotógrafa oca cabaça.

domingo, 23 de março de 2014

Nyungwa Nyungwa M´bira songs.

video
Parceria de muito tempo na construção ,pesquisa e fazer musical nesse vídeo tenho a soma do amigo e grande músico Marcos Arruda https://www.facebook.com/arrudaflow  (Ciclo Natural).
Tema de M´bira nyungwa:M´bira Flows!!
Essa é a levada brasileira do instrumento  que traz a ancestralidade Bantu na essência.
Pode divulgar é paixão  na ponta dos dedos!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Desert Blues, Un voyage musical au coeur du Mali - Michel Jaffrennou

A música do Oeste Africano se confunde com a história dos seus diferentes povos , traz uma sensação nítida de que existe a centenas de anos pelo seu primor técnico e seus instrumentos ancestrais que ainda hoje trazem aos nossos ouvidos o que ouviam os Reis e Rainhas nos impérios daquela região da Africa!
Um néctar sonoro pelo deserto Azul do Oeste Africano, narrado pelo contagiante contador de histórias do Malí Yaya Coulibaly...  Anitchéée!!

domingo, 14 de julho de 2013

Vivência de percussão e cantos Africanos com EcoNós\ Alto Paraíso\Goiás. 



Fotos: Camilla Coutinho Photoart
Uma pausa de mil compassos para transmissão oral de dialectos Bantu.



Fotos : Camilla Coutinho Photoart
Firmando o ponto...ou melhor o canto!



Fotos: Camilla Coutinho Photoart
Muitos povos, uma só voz!



Fotos : Camilla Coutinho Photoart
O toque do tambor, nos faz lembrar Africa , Africaa, |Africaaaa!!!

Fotos: Camilla Coutinho Photoart.
A sutil conexão da pele com a pele, re-ligação ancestral!


Fotos: Camilla Coutinho photoart.
Para um e para todos e todas!




Fotos: Camilla Coutinho Photoart.

quarta-feira, 6 de março de 2013

OFICINAS DE PERCUSSÃO AFRO BRASILEIRA NO ESPAÇO MOINHO


Oficinas de Percussão Afro brasileira no Espaço MOINHO
com o percussionista e artesão de instrumentos africanos Fabio Simões e Coletivo Kalimbaria

Objetivo:
Os encontros e estudos de pratica coletiva de percussão tem como objetivo promover as linguagens rítmicas diversas que temos aqui no Brasil, a idéia é criar um coletivo de estudos pra criação de apresentações musicais e workshops em diversas ocasiões.

Conteúdo: 
Pretendemos abordar as linguagens rítmicas populares e suas influências, como as fusões dos ritmos Afrobrasileiros com rítmos Africanos e outros sotaques do Brasil e do mundo: Ijesá, Afosé, Congo, Samba e suas variações, Cirandas, Cocos, Jongo, Heart beat , Afrobeat entre outros.

INVESTIMENTO:
R$75,00 (Setenta e Cinco reais) mensais
R$40,00 (Quarenta reais) aula
(aula experimenta gratis para alunos novos)  

AULAS QUINZENAIS
Segundo e Quarto Sábado de 17:00  às 19:00 hrs

LOCAL
Espaço Moinho, Rua: Ari Pinto Lima n: 49 
(Primeiro ponto da alameda são boa ventura, próximo a descida da ponte Rio-Niteró)

CONTATOS
Fabio Simões: (021) 9789-8556  email: kalimbaria @ yahoo.com.br
João Inácio:  (021) 8239-6180



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Kamel N´goni

 


Instrumento: Kamel N´goni ( cordophones Africanos)
Origem : Mali , Burkina Faso, Níger
Modelo com 10 cordas, braço em angelin, cabaça gigante couro de cabra e tarrachas de guitarra ( afinação Pentatônicas de Lá menor e Dò menor)
instrumento utilizado pelos Griôts , Djelis que são genealogistas contadores de histórias e Epopéias da antiga corte do Malí e região.

Encomende o seu pelo e-mail: kalimbaria@yahoo.com.br